Asma em adultos: saiba tudo sobre essa doença respiratória

Prevenção e Controle

25/02/2021

Entenda como funciona essa doença respiratória crônica e saiba quais perguntas fazer ao seu médico se apresentar os sintomas

7 min de leitura

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Asma em adultos: saiba tudo sobre essa doença respiratória

A asma em adultos costuma ter sua origem na infância; isso porque ela é uma doença respiratória crônica – a doença crônica é aquela que se desenvolve lentamente e que pode durar muito tempo, podendo acometer a pessoa durante toda a vida.

Hoje, esse tipo de doença representa um dos maiores problemas de saúde em todo o mundo. Além da asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são os tipos mais comuns. Apesar de serem doenças pulmonares, algumas delas podem acometer outros órgãos do sistema respiratório, como nariz e traqueia.

O que é asma?

Entre 10% e 20% da população brasileira (esse número varia de acordo com a região e a faixa etária considerada) sofre com a asma. Em 2008, o Brasil ocupava a 8ª posição mundial em prevalência da doença.

A asma, doença pulmonar crônica que causa a inflamação dos brônquios – canais que levam ar aos pulmões –, gera um muco que provoca o estreitamento desses canais, dificultando a passagem de ar. Dessa forma, o ar viciado fica preso dentro dos pulmões, provocando a sensação de sufoco, característica da asma em adultos.

Ainda não se sabe qual a causa exata da asma, mas alguns estudos já mostraram que fatores genéticos, ambientais e respiratórios estão associados ao seu surgimento.

Mapa mental Asma em Adultos

Sintomas e gatilhos

A asma afeta as vias respiratórias (os brônquios) e é caracterizada pela inflamação dessas vias, podendo causar:

  • falta de ar;
  • “chieira”;
  • sensação de aperto e cansaço no peito;
  • tosse.

Esses sintomas podem variar ao longo do dia e tendem a piorar com atividades físicas e na parte da noite. Não existe um padrão de severidade e duração dos sintomas, mas normalmente eles desaparecem sozinhos.

Os fatores ambientais são os principais gatilhos associados às crises de asma. Alguns funcionam mais como um agravador dos sintomas, já outros podem piorar a inflamação. Entre os principais gatilhos da asma, estão:

Ácaros

Esses bichinhos ou organismos microscópicos vivem em locais com poeira acumulada e descamação de pele humana. Exemplos: móveis, travesseiros, colchões, tapetes, carpetes e até animais de pelo. Os ácaros e as substâncias que eles produzem aumentam a inflamação dos brônquios, piorando a asma.

Fungos

Os fungos, ou mofo, são microrganismos que se proliferam nas estações mais quentes do ano, principalmente em casas escuras, cheias de umidade e pouca ventilação. Eles tendem a piorar os sintomas da asma por aumentar a inflamação dos brônquios.

Pólens

Predominante na primavera, época de maior polinização de árvores, flores e grama, devido ao clima de chuva prolongada, seguida por clima seco. Os pólens pioram a asma por aumentar a inflamação dos brônquios.

Animais de estimação

Os pelos de animais também pioram os sintomas da asma, e a frequência do contato é que determina a intensidade dos sintomas. Alguns animais podem desencadear alergias mais do que outros, como gatos e cavalos, por exemplo.

Infecções virais

Algumas infecções virais, como a gripe e o resfriado comum, também podem piorar (ou até mesmo causar) os sintomas da asma em adultos. Fora que alguns asmáticos são mais propensos do que outros. Assim que for notado o princípio de uma crise, é necessário evitar ao máximo todos os gatilhos para que ela não se agrave.

Procurando um médico

Às vezes, surge a dúvida sobre qual o momento ideal para procurar um médico. No caso da asma, é importante ficar atento caso esteja acordando à noite mais do que o normal com sintomas de asma; se o uso do inalador não ajuda a respirar melhor por muito tempo ou não ajuda em nada e/ou está sendo requisitado com mais frequência; se não consegue expirar tanto ar como de costume, conforme indicado por seu medidor de fluxo expiratório (dispositivo que avalia a taxa de pico de fluxo expiratório), porque suas vias aéreas estão estreitadas. Os médicos às vezes recomendam que alguns pacientes tenham esse dispositivo em casa para verificar regularmente a respiração e fazer um acompanhamento mais criterioso do tratamento. Alguns sintomas já são mais graves e exigem o comparecimento ao serviço de urgência.

Fique atento se perceber dificuldade para falar por causa da asma em adultos; se não conseguir comer ou beber por causa do cansaço; se estiver respirando muito rápido; se os músculos do pescoço estiverem tensos e se movendo rapidamente; se os batimentos cardíacos ou o pulso estiverem muito rápidos; se tiver dificuldade para andar; se os lábios ou unhas estiverem acinzentados ou azuis; se tiver exaustão sem motivo aparente, agitação ou confusão e perda da consciência (desmaio).

Tudo sobre asma

Por ser uma doença tão comum e, por vezes, ter sintomas que podem ser confundidos, é muito importante ter uma boa base de informação para quando tiver alguma suspeita. Mas a única pessoa realmente capaz de dar o diagnóstico completo é o médico. De qualquer forma, tendo em mente algumas questões importantes, a consulta será muito mais proveitosa, tanto sobre a doença quanto sobre o tratamento.

Saiba tudo sobre asma e o que perguntar ao seu médico:

Como posso ter certeza sobre o diagnóstico de asma e não de outra doença respiratória?

Primeiramente, o seu médico fará algumas perguntas para direcionar o diagnóstico e descartar outras doenças respiratórias: você está tossindo, cansado, chiando, tem secreção, consegue executar suas tarefas e exercícios físicos normalmente ou se cansa com mais facilidade? Os sintomas pioram no período noturno e/ou ao acordar?

Tem melhora com o uso da medicação inalatória? Após essas principais perguntas, ele fará o exame físico (ausculta) e avaliará a necessidade de exames diagnósticos e do uso de medicações para confirmar o diagnóstico.

A asma acomete todas as pessoas da mesma forma?

Os sintomas podem variar bastante, assim como sua intensidade. Eles podem ser leves, evoluindo para uma melhora espontânea, ou levar à necessidade de comparecimento a uma unidade de atendimento de urgência e/ou de internação hospitalar devido a complicações e à associação com outras doenças respiratórias.

Nas estações do ano em que há mais partículas alergênicas no ar, como na primavera, e nas estações mais frias (outono e inverno), é comum que as crises apareçam com mais frequência.

Posso ter uma vida normal (por exemplo: praticar esportes) sendo portador de asma?

O portador de asma pode ter uma vida normal desde que evite os gatilhos que podem gerar crises. Além disso, é necessário que faça uso da medicação de controle/manutenção e acompanhamento médico periódico para evitar agravamento e complicações.

Qual exame deverá ser feito?

O exame diagnóstico é a espirometria ou prova de função pulmonar. Trata-se de um exame no qual é avaliado o fluxo pulmonar: em um aparelho chamado espirômetro, o paciente inspira profundamente, com a maior capacidade possível, e depois expira.

A seguir, o aparelho faz o cálculo necessário para qualificar a função pulmonar e diagnosticar a asma. O uso da medicação broncodilatadora poderá ser utilizado para a realização do teste.

Além da espirometria, outro exame poderá ser solicitado: chama-se Peak flow. Ele consegue avaliar o fluxo mais elevado que um paciente pode gerar durante um esforço expiratório após uma inspiração máxima, avaliando assim o pico do fluxo e a presença de resistência nas vias aéreas.

Quando sua asma não está bem controlada, você não conseguirá expirar tanto ar como faria normalmente, porque suas vias aéreas estão estreitadas.

Qual o tratamento para a asma?

Se você teve asma desde criança, provavelmente está bem familiarizado com os tratamentos. Mas, se você foi diagnosticado recentemente, poderá não saber muito sobre os diferentes tratamentos para controle e prevenção. Como a asma em adultos costuma ser variável, com diversos fatores associados, deve-se analisar qual o tratamento para a asma traz melhor resposta, definindo métodos individualizados.

Em geral, o tratamento pode ser feito com 2 tipos de medicação: medicação controladora, ou de manutenção, que tem a função de prevenir o surgimento de sintomas e evitar o risco das crises e uma possível perda futura da capacidade respiratória; e uma medicação de alívio, ou resgate, indicada durante a piora dos sintomas.

As medicações controladoras têm como função reduzir a inflamação dos brônquios, e os medicamentos comumente utilizados são os corticoides inalatórios isolados ou em associação com uma droga broncodilatadora de ação prolongada.

A abordagem medicamentosa é sempre de forma gradual até o controle adequado e a cessação completa de sintomas e crises (remissão). É importante salientar que o uso correto da medicação de manutenção pode diminuir bastante ou até eliminar a necessidade do uso da medicação de alívio.

E que, quanto menor a dose de medicação prescrita, menor a chance de efeitos colaterais devido ao uso crônico dos corticosteroides, principalmente se houver necessidade de uso oral.

Em casos de tabagismo, é essencial que ele seja totalmente cortado. Isso é mais importante do que qualquer medicamento.

Qual medicação sempre deverá estar comigo? E quando utilizar a medicação de controle e a medicação de alívio?

Depende do controle da doença e da manifestação das crises. Se o controle estiver adequado – ausência de sintomas diurnos e despertares noturnos, sem exacerbações, exames normais e sem uso de medicações de resgate, é necessário que você esteja somente com a medicação de controle e a vida poderá ter um seguimento normal.

Caso o controle seja insuficiente, será necessário que, até a estabilização do quadro, você esteja sempre com as duas medicações – de controle e de resgate – devido ao risco de surgimento de nova crise ao contato com qualquer gatilho.

À medida que o aumento de doses terapêuticas da medicação de manutenção for instituído e o controle da doença for se adequando, a redução das doses da medicação de alívio ocorrerá até a sua interrupção.

É sempre muito importante lembrar que, se você for fumante, deverá cessar o tabagismo para que o tratamento seja efetivo.

Terei que utilizar mais medicamentos com o passar dos anos?

A progressão do tratamento está vinculada ao controle da doença. O uso adequado das medicações e a realização de todas as mudanças de estilo de vida orientadas vão determinar a necessidade ou não de progressão para o acréscimo de medicações. Isso vai depender da gravidade do caso.

Há efeitos colaterais com o uso contínuo das medicações? A medicação vicia?

O uso de qualquer tipo de medicação a longo prazo pode trazer efeitos colaterais para o paciente. Peça ao seu médico que explique detalhadamente quais são eles, de acordo com a medicação que será utilizada e o período.

Os medicamentos mais comumente utilizados e que têm efeitos colaterais são os corticoides. O uso, as alterações de dosagem e o tempo de utilização devem ser determinados pelo seu médico com acompanhamento regular.

Os efeitos mais comuns do uso das medicações inalatórias são, principalmente, candidíase oral e rouquidão (disfonia), que podem ser facilmente evitados com o uso de enxaguantes bucais após a utilização. Esses sintomas são mais comuns em crianças e idosos.

Os medicamentos orais podem trazer sintomas como inchaço, glaucoma, alterações nos níveis glicêmicos, alterações hormonais e hipertensão arterial, portanto devem ser utilizados com cautela e com acompanhamento médico criterioso para progressão e redução das doses. Evite sempre a automedicação.

A medicação não vicia; é o alívio que ela traz ao paciente quando está em crise que pode simular um “vício”. Quando há descompensação, o uso sempre será em um intervalo de tempo menor. Por isso pode parecer que o paciente está viciado.

Estilo de vida

É sabido que as mudanças no estilo de vida têm impacto direto no desenvolvimento de sintomas da asma e na boa evolução da doença e do tratamento. Por isso, é recomendado, além do controle médico adequado e do uso das medicações, as seguintes atitudes:

  • Não fumar.
  • Evitar a obesidade.
  • Ter hábitos alimentares saudáveis, evitando principalmente os derivados do leite, já que eles têm fator de interferência direto no desenvolvimento de doenças respiratórias e dermatites associadas.
  • Tomar sol nos horários permitidos como estímulo à maior produção de vitamina D, que atualmente interfere diretamente na melhoria da atividade do sistema imune.
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