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Hanseníase: o que é, seus tipos, sintomas e tratamento

Prevenção e Controle

27/01/2023

Atualizado em 26/12/2025

Tire suas dúvidas sobre a hanseníase, entenda o que é a doença, quais são seus tipos, sintomas e tratamentos.

4 min de leitura

Hanseníase: o que é, seus tipos, sintomas e tratamento

A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução crônica e transmissível. Segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil ocupa a 2ª posição do mundo entre os países que registram casos novos. 

Neste artigo do portal Viver Bem, você vai se informar sobre o que é a doença, quais são seus sinais e sintomas, tipos, diagnóstico, tratamentos e formas de prevenção.

O que é hanseníase?

A hanseníase é uma doença infecciosa causada principalmente pelo Mycobacterium leprae e pelo Mycobacterium lepromatosis que envolve a pele e os nervos periféricos.

O indivíduo diagnosticado pode apresentar lesões neurais que geralmente provocam danos irreversíveis. Por isso, é muito importante que o diagnóstico seja realizado o quanto antes para garantir ao paciente o tratamento mais adequado.

Quando não tratada em sua forma inicial, a doença pode evoluir de maneira lenta e progressiva, levando à incapacidade física.

Transmissão

Em geral, a maioria dos indivíduos não desenvolve a doença depois da exposição. O desenvolvimento depende de uma variedade de fatores, incluindo proximidade e tempo de contato, tipo de hanseníase apresentada pelo paciente acometido, estado imunológico e susceptibilidade genética.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a hanseníase não é transmitida por objetos utilizados pelo paciente, mas pelas vias respiratórias. Acredita-se que a maior parte da população tenha uma defesa natural à bactéria causadora da enfermidade.

Há, no entanto, uma influência genética, o que significa que pessoas cujos familiares foram atingidos pela doença têm mais chances de se infectarem pela bactéria causadora da enfermidade.

O risco de transmissão cai drasticamente após início do tratamento e contatos domiciliares devem ser examinados e vacinados com BCG, conforme protocolo nacional. 

Sintomas da hanseníase

O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento adequado. Em razão disso, é muito relevante se informar e se atentar aos possíveis sinais dessa condição.

Deve-se suspeitar de hanseníase em pessoas com qualquer um dos seguintes sintomas e sinais:

  • Manchas hipocrômicas (claras) ou avermelhadas na pele.
  • Perda ou diminuição da sensibilidade em mancha(s) da pele.
  • Dormência ou formigamento de mãos/pés.
  • Dor ou hipersensibilidade em nervos.
  • Edema ou nódulos na face ou nos lóbulos auriculares (orelhas).
  • Ferimentos ou queimaduras indolores nas mãos ou nos pés.
  • Manchas (brancas, avermelhadas, acastanhadas ou amarronzadas) e/ou área (s) da pele com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e frio) e/ou dolorosa (à dor) e/ou tátil (ao tato); 
  • Comprometimento do (s) nervo (s) periférico (s) – geralmente espessamento (engrossamento) –, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas; 
  • Áreas com diminuição dos pelos e do suor; 
  • Sensação de formigamento e/ou fisgadas, principalmente nas mãos e nos pés; 
  • Diminuição ou ausência da sensibilidade e/ou da força muscular na face, e/ou nas mãos e/ou nos pés; 
  • Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.  

A perda de sensibilidade é o sinal mais importante , pois a doença afeta primariamente os nervos periféricos e a pele, podendo acometer também a mucosa do trato respiratório superior, olhos, linfonodos, testículos e órgãos internos, de acordo com o grau de resistência imune do indivíduo infectado.

Tipos

As apresentações clínicas da hanseníase podem ser descritas da seguinte maneira:

  1. Indeterminada (Paucibacilar)
  • Forma inicial da doença, discreta e pouco perceptível. 
  • Manchas hipocrômicas, sem alteração de relevo ou textura. 
  • Redução da sensibilidade térmica; sensibilidade tátil preservada. 
  • Pode evoluir para outras formas ou curar espontaneamente. 
  • Detecção precoce depende de busca ativa. 
  1. Tuberculoide(Paucibacilar) 
  • Lesão única, bem delimitada. 
  • Redução acentuada da sensibilidade (térmica, tátil e dolorosa). 
  • Pode haver diminuição da sudorese e dos pelos na área afetada. 
  • Diagnóstico clínico baseado em lesão com perda sensorial. 
  1. Dimorfa (Multibacilar)
  • Forma intermediária e mais incapacitante. 
  • Lesões variadas (manchas, placas) em várias áreas. 
  • Comprometimento neural: dor, choque à palpação, perda de força, deformidades, úlceras, alterações oculares. 
  1. Virchowiana(Multibacilar) 
  • Forma mais contagiosa. 
  • Infiltração difusa da pele, nervos e órgãos internos. 
  • Alterações: acentuação dos sulcos cutâneos, perda de pelos, congestão nasal, aumento das orelhas. 
  • Evolução: nódulos cutâneos, dormência, câimbras, formigamento. 

Hanseníase: o que é, seus tipos, sintomas e tratamento

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da doença se dá por meio do exame físico geral e dermatoneurológico. Quando a condição é confirmada, o profissional indicará o tratamento mais adequado para cada caso, que é disponibilizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O tratamento é feito via oral com a associação de três antimicrobianos. Essa junção é chamada de Poliquimioterapia Única (PQT-U) e tem o objetivo de diminuir a resistência medicamentosa do bacilo (microrganismos bacterianos).

A doença deixa de ser transmitida logo no início do tratamento, que tem duração variável de acordo com a sua forma clínica.

Prevenção

O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno são fundamentais para a prevenção da doença. Além disso, é necessário fazer a investigação de contatos de pessoas que convivem ou conviveram com o paciente de modo prolongado, a fim de examiná-los para o controle de eventuais diagnósticos. Contatos domiciliares devem ser examinados e vacinados com BCG, se indicado conforme protocolo nacional.

Não se conhece precisamente o período de incubação da doença, mas estima-se que dure em média cinco anos, podendo chegar até a 20 anos.

Janeiro Roxo

O “Janeiro Roxo” é uma campanha nacional de prevenção à hanseníase, realizada pelo Ministério da Saúde e endossada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB).

Tal campanha consiste em fazer ações de conscientização sobre a doença. Ela não é relevante apenas para que o diagnóstico precoce seja realizado, mas também para a conscientização da população a respeito da doença e para evitar a exclusão social de portadores dessa condição.

O estigma e a discriminação são capazes de provocar diversas consequências negativas, incluindo a limitação do convívio social e o sofrimento psíquico, que, por sua vez, podem interferir no diagnóstico e na adesão ao tratamento da doença.

Embora tenha sido o primeiro país a proibir a linguagem discriminatória contra pessoas acometidas pela hanseníase (por lei, o termo “lepra” e seus derivados não podem ser usados em documentos oficiais), o Brasil não tem penalidades impostas para quem infringir a lei.

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