Sinais de autismo: como detectar e realizar o diagnóstico precoce

Prevenção e Controle

06/04/2021

A criança autista possui particularidades e um estilo de vida que deve ser adotado pela família. Veja quais são os sinais de autismo e como a identificação precoce assegura maior bem estar no desenvolvimento infantil.

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Sinais de autismo: como detectar e realizar o diagnóstico precoce

A primeira infância é marcada por novidades. Este é o momento em que as crianças aprendem a andar, falar, criar conexões sociais. Acompanhar a rotina dos pequenos durante essa fase é fundamental. Além de comemorar cada conquista, é tarefa de pais e mães estimular os filhos nesse processo constante de aprendizado.

O acompanhamento auxilia também na identificação de fatores que possam representar algum tipo de alteração no desenvolvimento infantil. Dificuldades de comunicação, socialização, irritabilidade e sensibilidade a ruídos podem representar sinais de autismo, transtorno que atinge 1 em cada 160 pessoas ao redor do mundo.

Diagnosticar o autismo durante os primeiros anos de vida é decisivo para o tratamento adequado. Continue lendo este post e entenda como identificar o transtorno, como tratá-lo e como promover o bem-estar e a qualidade de vida da criança.

O que é autismo?

Antes de entender sinais e tratamentos, é importante saber o que é autismo. Na verdade, este é o nome comumente utilizado para se referir ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

O TEA é considerado uma espécie de “pane” no neurodesenvolvimento, caracterizada pela dificuldade de comunicação e de socialização e por outros sinais, como padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos.

Os sintomas do autismo infantil podem se manifestar separadamente ou em conjunto e podem ser identificados já nos primeiros meses de vida, quando começam a ocorrer os marcos iniciais do desenvolvimento.

Tais sintomas também podem estar associados a outros diagnósticos e condições médicas, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade, epilepsia, entre outros. Embora exista maior incidência de autismo em meninos, não há explicação científica para isso.

Acredita-se também que fatores externos tenham ligação com o desenvolvimento do transtorno – infecções, uso de medicações durante a gestação ou até mesmo idade avançada dos pais no momento da concepção. Mas os fatores genéticos são apontados em estudos como a maior das causas possíveis para esse quadro.

O autismo é um transtorno permanente e sem possibilidade de cura. Apesar disso, o diagnóstico precoce do TEA pode garantir uma série de intervenções que permitem ganhos significativos no desenvolvimento cognitivo da criança.

Quais os tipos de autismo?

O transtorno do espectro do autismo tem esse nome por um motivo: ele pode se manifestar de formas muito diferentes em cada caso. Além disso, ele se apresenta nos mais diferentes graus, desde os mais leves até os mais graves – nos quais, muitas vezes, a criança pode apresentar características incapacitantes e dependência dos pais para socialização.

Entenda cada um dos graus do autismo:

Autismo leve

O autismo leve é aquele que não apresenta atrasos significativos no desenvolvimento da criança. No geral, pessoas com esse grau de TEA se comunicam e conseguem manter certo nível de interação social.

Elas podem apresentar indícios menos evidentes de estereotipias – traço do autismo caracterizado pela execução de movimentos repetitivos, executados normalmente quando é necessário lidar com excesso de estímulos.

Autismo moderado

Como o nome já diz, o autismo moderado é caracterizado pelo “meio termo” entre a condição mais leve e mais grave do TEA. A determinação sempre depende da avaliação médica.

Autismo grave

Oposto ao autismo leve, crianças com autismo grave apresentam déficits graves na comunicação, seja verbal, seja não verbal. A capacidade de interação social em pessoas diagnosticadas com esse grau de autismo é precária; e a rigidez a rotinas e a dificuldade de lidar com mudanças são extremas.

Nesses casos, as estereotipias são mais intensas e incapacitantes, como correr de um lado para o outro, balançar o corpo  e as mãos. Em alguns casos, a criança pode até mesmo praticar autoagressão.

Síndrome de Asperger

O Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) classifica a síndrome de Asperger dentro do TEA. Trata-se de um diagnóstico que costuma ser tardio, porque, ao contrário do que apresentam os pacientes de autismo, não há atraso na linguagem verbal, mas sim vocabulário rebuscado e formal.

Geralmente, pessoas diagnosticadas com a síndrome de Asperger têm inteligência acima da média, mas esse não é o único sinal a se observar. Elas costumam ser literais e apresentam dificuldades para entender ironias e metáforas, por exemplo. Dificuldade de manter o “olho no olho”, pouca socialização e interesses restritos são outras características muito comuns nesse caso.

Sinais de autismo: dicas para identificar

Reconhecer um ou mais sinais de autismo pode ser um alerta para pais, mães e demais responsáveis pelos cuidados dos pequenos. É por isso que a observação do desenvolvimento das crianças se torna tão importante.

Ficar de olho na comunicação não verbal do bebê ou da criança pode ser a chave para o diagnóstico. Entretanto, em caso de um ou mais indícios suspeitos, é preciso procurar ajuda profissional, seja com um neurologista pediátrico, seja com um psiquiatra infantil.

Como reconhecer sintomas do autismo?

É possível reconhecer os sintomas do autismo infantil ainda nos primeiros meses de vida. A seguir, alguns dos sinais que podem indicar suspeitas do TEA em bebês:

  • Atraso no sorriso.
  • Poucas expressões faciais.
  • Pouca atenção a sons, ruídos e vozes no ambiente.
  • Pouco interesse em faces humanas e predileção por objetos.
  • Irritabilidade no colo e falta de responsividade no momento da amamentação.
  • Problemas graves de sono.
  • Pouca ou nenhuma reação ao ser separado da mãe.
  • Atrasos no desenvolvimento da linguagem.
  • Pouca adesão a gestos convencionais (como abanar para dar tchau).

Com o passar do tempo, os sinais de autismo podem mudar. Entre eles, se destacam:

  • Déficit de interação social.
  • Pouco engajamento social e baixa disponibilidade de resposta.
  • Dificuldade em olhar nos olhos e fixar o olhar.
  • Comportamento arredio ao toque.
  • Pouca responsividade ao serem chamados pelo nome.
  • Preferência ao isolamento e a brincadeiras individuais e independentes.
  • Falta de interesse em imitar pequenos gestos ou brincadeiras.
  • Fixação por objetos, alinhando-os e aproximando-se exageradamente deles.
  • Pouca ou nenhuma reação com o afastamento dos pais no primeiro dia de aula.
  • Incômodo incomum com sons altos.
  • Dificuldade em mudar a rotina.
  • Seletividade alimentar.
  • Poucas demonstrações de dor e de medo em situações perigosas.
  • Dificuldade de foco e finalização de tarefas aparentemente simples.
  • Dificuldade em expressar seus sentimentos com fala ou gestos.
  • Acessos de raiva.

Diagnóstico precoce e sua importância

O diagnóstico de autismo é clínico. Ele é feito por meio da análise do comportamento da criança e dos principais aspectos que caracterizam o transtorno do espectro do autismo. São eles: dificuldade na comunicação, déficit na interação social, estereotipias e interesses fixos e restritos.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico do TEA, melhores são as chances de prognóstico. Isso porque, quando a família descobre o autismo nos primeiros anos de vida, os estímulos e as intervenções ao desenvolvimento neuropsicomotor da criança podem ser mais efetivos.

Importância do auxílio especializado

A importância do auxílio de pais, mães e responsáveis pelos pequenos é inquestionável. Além de peças fundamentais no descobrimento do diagnóstico, essas pessoas precisam estar sempre ativas nas intervenções ao desenvolvimento da criança com autismo.

Ao identificar suspeitas que possam ser associadas ao TEA, é importante procurar auxílio especializado para confirmar o diagnóstico. Em seguida, é recomendado que a criança autista seja acompanhada por uma equipe multidisciplinar – com pediatra, neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicopedagogo, terapeuta ocupacional, nutricionista, psiquiatra, entre outros.

O objetivo deste trabalho é atuar, em conjunto, em prol do desenvolvimento total da criança e da expansão de suas habilidades. Mas, para que esse desenvolvimento aconteça de fato, é importante que o tratamento seja contínuo e que a criança encontre um ambiente acolhedor para isso em casa.

O diagnóstico do autismo, certamente, é uma notícia que acarreta diversas mudanças na rotina dos pais e na vida familiar. Entretanto, com as ferramentas corretas, é possível proporcionar um ambiente acolhedor e confortável para a criança autista, bem como possibilitar seu desenvolvimento.

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