Exames na gravidez: saiba quais são obrigatórios

Maternidade

19/02/2021

Realizar todos os principais exames do pré-natal pode ajudar a prevenir e detectar problemas durante a gestação

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Exames na gravidez: saiba quais são obrigatórios

Prever o futuro com uma bola de cristal como nos filmes e desenhos animados é impossível, mas quem carrega uma vida em desenvolvimento no ventre consegue ter um bom vislumbre do que vem por aí realizando os exames do pré-natal solicitados pelo obstetra.

Além das clássicas ultrassonografias, outras análises como a de toxoplasmose, glicose e TSH também são alguns exames na gravidez que precisam ser feitos. Com eles, poderão ser identificadas doenças e situações em que são necessários cuidados especiais. Neste artigo, separamos os principais exames na gestação. Boa Leitura!

Principais exames do pré-natal: quais são?

A gestação é um momento muito delicado e existem diversos riscos que ameaçam a saúde da mãe e da criança no seu útero. Felizmente, com os avanços da medicina, existem também várias formas de detectar precocemente os principais problemas e agir com precisão para tratar cada ameaça da melhor forma possível.

Listamos alguns dos principais exames do pré-natal que serão solicitados pelo obstetra em uma gravidez neste artigo, mas, dependendo da mãe e do tipo de gestação, é comum que outras análises sejam acrescentadas, especialmente quando em algum dos testes algo de incomum for detectado, exigindo uma investigação aprofundada para o diagnóstico correto.

Hemograma completo

Um exame bem tradicional e conhecido, o hemograma pode revelar muita coisa no pré-natal. O hemograma completo é feito a partir da coleta de sangue e permite uma análise dos componentes sanguíneos como hemácias, plaquetas e outros.

Como há um aumento de líquidos no corpo da gestante, o hemograma é importante especialmente para indicar anemia gestacional causada pela diluição do ferro no sangue. 

Outras descobertas importantes do hemograma envolvem a coagulação, relacionada às plaquetas; e imunidade, relacionada aos glóbulos brancos, Alterações devem ser monitoradas e podem demandar intervenção.

Geralmente o hemograma completo está entre um dos primeiros exames na gestação pedidos pelo obstetra. Dependendo dos resultados, pode ser repetido com frequência, mas mesmo quando não há alteração é provável que o médico peça um novo a cada trimestre. 

Tipo sanguíneo e fator Rh

A incompatibilidade entre os tipos sanguíneos dos pais pode gerar riscos para mãe e filho. Se apenas o sistema ABO é incompatível (uma mãe tipo O e um pai tipo A, por exemplo), pode acontecer dos anticorpos IgM da mãe atacarem os glóbulos vermelhos fetais.

Como a placenta é capaz de proteger os bebês desses ataques, a chance de consequências graves é relativamente baixa, mas será preciso monitorar a condição.

Já quando a incompatibilidade é no fator Rh, ou seja, quando o pai é tipo positivo e a mãe tipo negativo, problemas maiores podem acontecer, ainda que raramente se manifestem na primeira gestação.

Dessa forma, os exames de pré natal tipo sanguíneo e fator Rh realizado em ambos os pais serve para descobrir essas incompatibilidades e agir o mais precocemente possível, com o acompanhamento mensal no exame Coombs indireto e a aplicação de imunoglobulina anti-Rh na gravidez e no puerpério. 

Ultrassonografias durante a gravidez 

São realizadas alguns tipos de ultrassonografias durante a gravidez. O ultrassom endovaginal é o primeiro de muitos, feito idealmente entre 7 semanas e 11 semanas e 6 dias, confirma a gestação, precisa a idade gestacional, determina o local do desenvolvimento embrionário, número de embriões e a vitalidade fetal. 

Ainda no primeiro trimestre, é feito o ultrassom morfológico, normalmente entre 11 e 13 semanas e 6 dias da gestação. Parte deste exame é a translucência nucal, que pode indicar riscos de síndromes cromossômicas com Down e outras.

Outra solicitação comum entre exames na gestação, o ultrassom morfológico de segundo semestre com dopplerfluxometria colorida das artérias uterinas e avaliação do colo por via vaginal deve ser realizado entre a 20ª e 24ª semana de gestação. Nele, são avaliadas as alterações físicas do bebê, como cardíacas e renais, além  do risco de prematuridade e de pré-eclâmpsia grave.

Por fim, o ultrassom obstétrico com doppler colorido deve ser realizado entre 34 e 36 semanas e tem como objetivo avaliar o crescimento fetal, a quantidade de líquido amniótico e a placenta de acordo com o tempo de gestação.

Além de todos esses exames de ultrassom, é bem comum que o obstetra peça exames na gravidez para acompanhamento ao longo de todo o período,  especialmente nas semanas finais. Quando a gestação ultrapassa 40 semanas, alguns obstetras preferem que o ultrassom seja diário, para minimizar qualquer risco nesta última etapa.

Exame de HIV

É muito importante pesquisar a infecção por HIV na gestante.  As mulheres com HIV que iniciam o tratamento precocemente e o mantêm durante toda a gestação protegem a saúde e raramente transmitem o vírus para seus bebês, já que o vírus pode ser controlado com os medicamentos certos.

TSH ultra sensível

O TSH, ou hormônio tireoestimulante, é produzido pela hipófise com o objetivo de estimular a produção dos hormônios T3 e T4, que por sua vez são produzidos pela tireoide e importantíssimos para diversas funções do corpo. Quando o TSH é muito baixo, os níveis de T3 e T4 podem estar aumentados. Quando está alto, os outros dois hormônios podem estar baixos.

Saber os níveis de T3 e T4 é essencial para a investigação de hipotireoidismo na gravidez. Se não for tratado, o hipotireoidismo está associado a vários prejuízos à saúde da mamãe e do bebê. Outro risco é o desenvolvimento da chamada síndrome de hashimoto ou tireoidite de hashimoto, que é uma doença auto imune em que os anticorpos enxergam altos níveis de T3 e T4 como uma ameaça e atacam a tireoide, culminando em hipotireodismo e outros problemas.

O exame se chama TSH ultra sensível por ser capaz de detectar pequenas variações no TSH.

Exame de Toxoplasmose na gravidez

Revela se a gestante já teve ou tem infecção causada pelo Toxoplasma gondii, o protozoário causador da toxoplasmose. Se a mulher nunca teve a doença, precisará repeti-lo mais 2 vezes, no segundo e no terceiro trimestre). 

O Toxoplasma é transmitido pelo consumo de carne crua ou mal cozida, manipulação de alimentos contaminados ou contato direto com fezes de gato. A toxoplasmose pode ser gravíssima para o desenvolvimento do bebê e está relacionada a danos aos nervos e à visão do feto. Por isso, o exame de toxoplasmose na gravidez é extremamente importante.

Exame de glicose na gravidez

Glicemia em jejum é mais um dos exames de pré-natal que é feito algumas vezes durante a gestação. O principal objetivo do exame de glicose na gravidez é detectar o diabetes gestacional, uma condição que prejudica tanto a mãe como a saúde do bebê. 

No segundo trimestre também é realizado um teste chamado teste de tolerância oral à glicose, que  ajudará a avaliar a diabetes gestacional.

Teste VDRL

O teste VDRL serve para identificar se a mãe tem sífilis, uma infecção sexualmente transmissível que é muito perigosa para a gestante e o bebê se não for tratada adequadamente. 

O VDRL deve ser realizado no primeiro, segundo e terceiro trimestre da gestação. A sífilis pode provocar aborto, parto prematuro, sequelas neurológicas e morte do bebê. VDRL é uma sigla para o inglês Venereal Disease Research Laboratory.

Rastreamento de estreptococos do grupo B

Entre a 35º e 37º semana deve ser investigada a presença da bactéria estreptococos do grupo B na região vaginal e/ou perianal, um dos exames do pré-natal também relevante.

Se for detectada, deverá ser realizado o tratamento adequado, algumas horas antes do momento do parto, para evitar problemas ao bebê, como meningite, broncopneumonia e infecção generalizada.

Os estreptococos do grupo B são bactérias usualmente encontradas no trato intestinal e normalmente não provocam sintomas nas mães. 

Para a realização do exame, que também é chamado de “exame do cotonete”, amostras do ânus e vagina são coletadas com swabs, ferramentas que parecem com cotonetes, e são enviadas para a realização de cultura no laboratório.

O tratamento, que é a injeção de um antibiótico na veia, só é feito algumas horas antes do parto porque tem efeitos colaterais e se for realizado antes, as bactérias podem voltar a se multiplicar.

Exames de urina de rotina e urocultura

Os exames de urina de rotina e a urocultura são realizados para a detecção de micro-organismos que possam causar a infecção urinária. Apesar de ser uma condição relativamente comum, fácil de tratar e com sintomas brandos, a infeção urinária pode prejudicar a gestação e está relacionada ao parto prematuro.

Os exames de rotina costumam ser solicitados quando a paciente se queixa de algum sintoma e no começo da gravidez, mas essa frequência pode variar. A urocultura normalmente é feita no segundo semestre.

Sorologia ELISA para Hepatite B e hepatite C

As hepatites virais B e C podem ser perigosas para qualquer pessoa, mas para as gestantes são uma ameaça ainda maior e podem comprometer o desenvolvimento do bebê. O obstetra usualmente faz o pedido logo no começo da gestação e em alguns casos repete no terceiro trimestre.

O método ELISA, ou quimioluminescência, é capaz de detectar anticorpos produzidos pelo organismo e quantificá-los. Para o diagnóstico da hepatite B, é feita a pesquisa do HBsAg. Da hepatite C é necessário verificar o anti-HCV.

A quantidade de exames na gravidez pode parecer alta, ainda mais para quem sempre levou uma vida saudável sem precisar de um acompanhamento tão minucioso. Mas a verdade é que o obstetra sempre solicitará exames de pré-natal visando o cuidado necessário para que mãe e bebê cumpram essa jornada juntos e sem maiores complicações. 

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