Epilepsia: principais causas e o que fazer quando presenciar uma crise
12/03/2026
Atualizado em 23/03/2022
Entenda o que desencadeia as crises de epilepsia e como ajudar alguém que está tendo uma convulsão.
6 min de leitura

A epilepsia é uma condição neurológica que pode afetar pessoas de diversas idades e por diferentes razões.
Caracterizada principalmente pela ocorrência de crises epiléticas, é uma doença relativamente comum. Segundo dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS), ela acomete cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo.
No caso do Brasil, a epilepsia pode afetar até 3% da população. Esses dados de prevalência, junto com a morbidade da doença, demonstram a importância de conhecer mais a epilepsia. Continue lendo este artigo do Viver Bem para saber mais.
O que é epilepsia?
Trata-se de um transtorno do cérebro que se manifesta clinicamente em crises convulsivas recorrentes. A crise convulsiva é uma mudança repentina de comportamento devido a alterações elétricas no córtex cerebral, ou seja, é como se o nosso cérebro tivesse sofrido uma “pane” por alguns minutos.
No momento da crise, pode haver espasmos musculares e perda de consciência. Por isso, durante uma convulsão, a pessoa pode se debater, espumar pela boca, morder a língua e até perder o controle do esfíncter (urinário e até mesmo evacuar).
Epilepsia x convulsão isolada
Nem todo mundo que tem uma crise convulsiva é uma pessoa que tem epilepsia. Convulsões isoladas podem ocorrer por diversos motivos, mas não caracterizam necessariamente um diagnóstico de epilepsia.
Para ter o diagnóstico de epilepsia, a pessoa deve ter crises epiléticas recorrentemente em intervalos variáveis. Geralmente, considera-se a ocorrência de pelo menos duas crises não provocadas, com mais de 24 horas de intervalo, para se estabelecer o diagnóstico.
Principais causas da epilepsia
A doença é caracterizada por uma alteração na forma como os neurônios (células cerebrais) se comportam. São descargas cerebrais anormais que disparam repetidamente. As causas de epilepsia são:
Causas identificáveis
Entre as causas identificáveis da epilepsia, está a falta de oxigenação cerebral durante o parto (a chamada anoxia neonatal), fator recorrente na infância. Na terceira idade, a doença pode ser desencadeada por doenças cerebrovasculares como AVC e tumor cerebral.
Outras causas identificáveis são:
- traumatismo craniano;
- doenças infecciosas (meningite, por exemplo);
- doença genética;
- abuso de bebidas alcoólicas e drogas.
Epilepsia idiopática (sem causa clara)
Na maioria dos casos de epilepsia, não são identificados fatores associados à doença. Essa situação é chamada de “epilepsia idiopática”.
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Diagnóstico: exames e avaliação clínica
O diagnóstico da doença é clínico, ou seja, o médico analisa os sintomas, o histórico do paciente e realiza uma avaliação clínica. Ele também pode pedir alguns exames para investigar qual o tipo de epilepsia da pessoa.
Os exames mais comuns para complementar a avaliação são os laboratoriais, eletroencefalograma, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Tipos de crises epilépticas e sintomas
A manifestação mais conhecida da epilepsia é a chamada crise tônico-clônica generalizada. Nesse tipo de crise, a pessoa tem abalos musculares involuntários, passa a se debater, e pode apresentar salivação excessiva. Mordedura de língua, liberação de esfíncter (urinar e/ou defecar) também são sintomas comuns.
As crises mais sutis, como as focais, podem manifestar como alteração de comportamento ou alteração motora em apenas uma parte do corpo. Muitas vezes, elas não são identificadas, e assim não há suspeita de epilepsia. Outras manifestações de crises focais podem ser: formigamento em membros, olhar vago ou imobilidade.
As crises de ausência são mais comuns em crianças e podem ocorrer diversas vezes ao dia. Conheça mais sobre os tipos de crise epiléptica:
Crise tônico-clônica (convulsão clássica)
- Crise tônica: provoca rigidez dos músculos, principalmente nos dos braços, das pernas e das costas.
- Crise atônica: causa perda de controle muscular e pode levar a quedas bruscas.
- Crise clônica: provoca movimentos repetitivos em sequência, especialmente no rosto, no pescoço e nos braços.
Emergência: o que fazer ao presenciar uma crise
Ao identificar uma pessoa tendo uma convulsão, você pode ajudá-la, desde que saiba o que fazer. A tentativa de segurar a língua da pessoa durante a crise convulsiva é comum. No entanto, essa prática deve ser evitada. Além de não proteger o paciente, essa ação aumenta o risco de dano ao socorrista.
Passo a passo dos primeiros socorros
- Procure manter a calma.
- Tente evitar que a pessoa sofra quedas ou traumas durante a crise convulsiva.
- Deixe-a em um local seguro e retire os objetos ao redor, para evitar que ela se machuque durante a crise.
- Não tente segurar ou restringir os movimentos da pessoa, mas se for possível, deite-a de lado.
- Se ela estiver usando roupas apertadas, como gravata e cinto, você pode afrouxá-las. Caso a pessoa use óculos, retire-os.
- Não jogue água, não dê tapas na pessoa, nem tente impedi-la de se debater.
- As crises de epilepsia, geralmente, duram de segundos a poucos minutos
Quando é urgência
Nas situações em que a convulsão dura mais do que 5 minutos, a recomendação é procurar por ajuda médica imediatamente.
Tratamento da epilepsia: viver normalmente
É possível viver normalmente com a epilepsia, desde que sejam tomados alguns cuidados. Em determinadas situações, são necessários alguns tratamentos.
Medicamentos antiepilépticos
Cerca de dois terços dos pacientes com epilepsia são tratados com medicamentos, os chamados “antiepilépticos” ou “anticonvulsivos”. Desta forma, é possível controlar e evitar as crises, e viver normalmente com a doença.
Gatilhos a evitar (álcool, estresse, falta de sono)
Não é possível impedir que uma pessoa desenvolva a doença, mas, além dos medicamentos, existem medidas comportamentais que podem evitar o surgimento de crises.
Evitar o consumo de álcool e de drogas, dormir bem e fazer atividades relaxantes para privar-se do estresse, como meditar, também pode ajudar a impedir crises. Além disso, manter uma alimentação saudável também ajuda a evitar hipo e hiperglicemia, que podem desencadear uma crise.
Mitos e verdades sobre epilepsia
Para algumas pessoas, algumas dúvidas persistem sobre a epilepsia. Para facilitar o entendimento, confira alguns mitos e verdades sobre a doença:
Quem tem epilepsia pode dirigir?
A epilepsia, por si só, não é uma restrição automática para a obtenção ou a renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil. A legislação brasileira prevê que cada caso seja avaliado individualmente, conforme os critérios do exame de aptidão física, mental e psicológica.
De acordo com a Resolução nº 927/2022 do CONTRAN, pessoas com condições neurológicas, como a epilepsia, podem ser consideradas aptas para dirigir, desde que apresentem controle adequado das crises e sejam aprovadas na avaliação realizada por médicos e psicólogos, credenciados pelos órgãos de trânsito.
Quando as crises são frequentes, não controladas ou envolvem alteração de consciência, a habilitação pode ser negada ou suspensa temporariamente, sempre com base em critérios técnicos e de segurança. Assim, o impedimento não está no diagnóstico em si, mas na condição clínica atual do condutor.
Café causa crise de epilepsia?
Não. Isso é um mito. Na verdade, o hábito de tomar café não tem nenhuma relação com a epilepsia, tampouco facilita uma convulsão.
A epilepsia é uma doença mental?
Não. A epilepsia não é um transtorno mental (doença psiquiátrica), mas um transtorno neurológico.
26/3, Dia Roxo: vista roxo e ajude a conscientizar
O Dia Roxo (Purple Day ou Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia) é celebrado, anualmente, no dia 26 de março, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a epilepsia, esclarecendo que se trata de uma condição neurológica tratável, e que é possível conviver normalmente com a doença.
Conte com a Unimed-BH
Conviver com a epilepsia exige acompanhamento contínuo e cuidado especializado.
A Unimed-BH oferece suporte ao paciente, além de orientação para o uso correto de medicamentos. O cuidado certo, no tempo certo, faz a diferença no controle das crises e na qualidade de vida.
FAQ: perguntas frequentes sobre epilepsia
1. O que causa convulsão?
Convulsões ocorrem quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro. Elas podem ser causadas por infecção, traumatismo craniano, falta de oxigenação, uso de álcool ou drogas e alteração metabólica. Nem toda convulsão significa epilepsia, especialmente quando ocorre de forma isolada.
2. Como ajudar em uma crise epiléptica?
Mantenha a calma, afaste objetos que possam machucar a pessoa e, se possível, deite-a de lado. Não impeça os movimentos, não coloque nada na boca da pessoa e não jogue água nela. Após a crise, deixe a pessoa descansar. Procure emergência se durar mais de cinco minutos.
3. Pessoa com epilepsia pode dirigir?
Sim, desde que as crises estejam controladas, e a pessoa seja considerada apta em avaliação médica e psicológica. A legislação brasileira avalia cada caso individualmente. Quando há crises frequentes ou perda de consciência, a habilitação pode ser suspensa temporariamente por segurança.
4. Estilo de vida saudável é só fazer exercício e comer “certinho”?
Sim, desde que as crises estejam controladas, e a pessoa seja considerada apta em avaliação médica e psicológica. A legislação brasileira avalia cada caso individualmente. Quando há crises frequentes ou perda de consciência, a habilitação pode ser suspensa temporariamente por segurança.
5. “Dia Roxo” – o que significa?
O Dia Roxo, celebrado em 26 de março, é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia. A data tem como objetivo informar, combater preconceitos e mostrar que a epilepsia é uma condição neurológica tratável, permitindo que muitas pessoas levem uma vida normal.
6. Quanto tempo dura uma crise de epilepsia normal?
A maioria das crises epilépticas dura entre alguns segundos e cinco minutos. Crises que ultrapassam esse tempo são consideradas emergência médica e exigem atendimento imediato.
7. Epiléptico pode tomar café ou energéticos?
O café, de forma geral, não causa crises epilépticas e não é considerado um gatilho direto. Já o consumo excessivo de cafeína ou energéticos pode atrapalhar o sono e aumentar o estresse, fatores que indiretamente podem favorecer crises em algumas pessoas.
8. Álcool ou cigarro aumenta o risco de crise convulsiva?
Sim. O consumo de álcool e o uso de drogas podem aumentar o risco de crises, interferir na eficácia dos medicamentos e desregular o sistema nervoso.
9. Falta de sono desencadeia crises epilépticas?
Sim. A privação de sono é um dos gatilhos mais comuns para crises epilépticas. Dormir pouco ou mal pode aumentar a atividade elétrica cerebral anormal. Manter uma rotina regular de sono é uma medida importante para reduzir o risco de crises.