Alcoolismo: o que é e recomendações de tratamento

Prevenção e Controle

29/12/2021

O alcoolismo não tem cura, mas é possível buscar tratamentos para viver longe do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Saiba quais são.

6 min de leitura

Alcoolismo: o que é e recomendações de tratamento

O consumo de bebidas alcoólicas faz parte da vida social de muitas pessoas. Seja em um happy hour com os amigos do trabalho ou em uma grande festa, o álcool está presente na vida de milhares de brasileiros. A grande questão relacionada ao álcool, item tão comum em momentos de celebração, é o alcoolismo — que afeta cerca de 10% da população brasileira.

Ele pode causar consequências físicas e psicológicas e muito se engana quem pensa que elas se restringem ao dependente alcoólico em si. Também podem afetar familiares, amigos e todos aqueles que fazem parte do círculo social da pessoa com dependência de álcool.

Mas afinal, como entender a linha tênue entre o ato de “beber socialmente” e o alcoolismo? Entenda mais sobre o que configura a dependência alcoólica, quais são os graus dessa condição, e o que fazer em cada um desses contextos. Continue lendo e conscientize-se.

O que é alcoolismo?

Uma das principais dúvidas que podem passar pela cabeça de quem consome bebidas alcoólicas é se o ato de beber representa a definição de alcoólatra. Para responder a isso, precisamos compreender, antes de mais nada, o que é alcoolismo.

Podemos caracterizar o alcoolismo como a necessidade de ingerir bebidas alcoólicas e a dificuldade de entender “a hora de parar”. A pessoa alcoólatra também costuma ter tolerância ao álcool e, por esse motivo, consome maiores quantidades para experimentar os efeitos das bebidas.

Sendo assim, a diferença entre o consumidor de álcool e o alcoólatra, é a relação com a bebida e a capacidade de se controlar ao beber.

Etilista ou alcoólatra: qual é a diferença?

Entendendo o que é etilismo — outro nome para o alcoolismo, fica mais fácil compreender o que é o etilista ou alcoólatra. Antes de mais nada, é importante entender que não há diferença entre os termos. São apenas nomes diferentes para a mesma condição.

O etilista — ou alcoólatra — é o indivíduo que possui essa relação de necessidade do álcool e falta de controle com a bebida. Consequentemente, consome grandes quantidades de bebidas alcoólicas em um curto espaço de tempo.

Ele poderá ser considerado um etilista social ou crônico, a depender dos seus sintomas. Mas, independentemente do grau de etilismo ao qual se encontra o indivíduo, buscar ajuda é fundamental para combater o alcoolismo e os efeitos negativos que ele gera na vida do paciente e daqueles que convivem com ele.

Saiba mais sobre os níveis de alcoolismo a seguir.

Beber além da conta: como identificar a dependência?

Assim como outras doenças, existem vários graus de alcoolismo: ele pode ser classificado como leve, moderado ou grave.

Essas categorias são, em parte, sobre a quantidade de álcool consumida pelo etilista, mas também refletem o nível de dependência de álcool. Bem como o quanto a necessidade da substância e o seu consumo, afetam a vida e a rotina do alcoólatra.

Em cada um desses “níveis”, os sintomas do alcoolismo são diferentes.

Etilista social: transtorno do uso de álcool leve

Conhecida também como etilista social, a pessoa com transtorno do uso de álcool leve, não necessariamente bebe com tanta frequência. Nem tem tanta necessidade do álcool no organismo.

O alcoolismo em grau leve pode ser identificado em pessoas que:

  • Lutam para controlar o ato de beber assim que o iniciam;
  • Apresentam dificuldades em saber a hora de parar;
  • E/ou que, ao consumir as bebidas, apresentam comportamentos problemáticos.

Etilista crônico: transtorno por uso de álcool moderado a grave

Diferentemente do etilista social, o etilista crônico já apresenta diversos problemas relacionados ao consumo excessivo de álcool.

Pessoas com transtorno por uso de álcool moderado a grave, geralmente, já têm relacionamentos e atividades como trabalho, escola ou compromissos, comprometidos pela bebida. É comum apresentar até mesmo problemas jurídicos, decorrentes dos excessos.

Na saúde física, o uso regular do álcool pode ocasionar danos a longo prazo ao fígado, pâncreas, coração, cérebro e outros órgãos.

Podem ocorrer convulsões, tanto pelo excesso de álcool chegando ao cérebro, quanto pela falta dele, o que já sugere comprometimento dos neurônios pelos efeitos da bebida.

Tremores, confusão mental, sudorese excessiva e batimento cardíaco acelerado são comuns. Eles representam sintomas de abstinência — o que sugere dependência das células do corpo pelos efeitos do álcool.

Como parar de beber: recomendações

Muitas pessoas podem não perceber sozinhas que o seu consumo de bebidas é um problema. Outras até podem saber, no fundo, que possuem distúrbios com álcool, mas nunca conversaram com ninguém que pudesse ajudar e por isso, não sabem como parar de beber.

A boa notícia é que existe tratamento para alcoolismo. Ele depende de quão severamente se é afetado pelo transtorno por uso de álcool.

Tratamento para alcoolismo leve

Pessoas com transtorno por uso de álcool leve ou apenas disfunções ocasionais, causadas ​​pelo álcool, podem buscar como primeira alternativa, uma conversa com um médico e psicólogo. Durante a consulta, é importante expor a preocupação com os danos que a bebida está causando.

Após a primeira abordagem sobre o assunto, as sessões regulares com os profissionais devem continuar. Como parte dessa estratégia, um plano poderá ser desenvolvido em conjunto, com o objetivo de reduzir ou parar definitivamente com o uso de bebidas.

Para algumas pessoas, essas discussões são o estímulo que precisam para começar a repensar sobre seu comportamento. Esse tipo de diálogo com profissionais de saúde poderia acontecer em consultas de rotina.

Mas, na maioria das vezes, acontecem porque os pacientes acabam nos serviços de emergência, por causa dos problemas causados ​​pelo álcool.

Tratamento para alcoolismo moderado a grave

Casos de transtorno por consumo de álcool moderado a grave, carecem de outras estratégias aliadas ao aconselhamento de profissionais da saúde.

Além de avaliação e aconselhamento médico e psicológico, o tratamento para alcoolismo moderado a grave, pode incluir desintoxicação, reabilitação e medicamentos.

Desintoxicação

Desintoxicar significa deixar o corpo sem álcool e ajudá-lo a superar quaisquer sintomas de abstinência. Algumas pessoas precisam permanecer no hospital para esta fase do tratamento.

Reabilitação e cuidados posteriores

A reabilitação para alcoólatras envolve várias medidas para ajudá-lo a evitar que volte a beber. Essa estratégia pode incluir tratamentos médicos, ajuda psicológica para melhorar o bem-estar mental e questões sociais.

Além disso, sessões com um terapeuta são indicadas durante várias semanas ou meses, uma ou duas vezes por semana. Esses encontros têm como objetivo ajudar o paciente a evitar o consumo de bebidas alcoólicas, lidar com o estresse e com situações que desencadeiam a vontade de beber.

Além de criar um ambiente acolhedor, para discutir sobre angústias que levam ao álcool e estimular o estabelecimento de amizades e relacionamentos positivos que não girem em torno da bebida.

Encontros com grupos como Alcoólicos Anônimos (AA) podem ser positivos na fase de reabilitação, desde que recomendados pelo profissional. É muito importante construir um plano com o médico ou terapeuta.

Medicamentos

Alguns medicamentos podem ajudar algumas pessoas a não beber. Essas drogas funcionam de várias maneiras — reduzindo o desejo pelo álcool, minimizando o prazer obtido com o consumo do álcool ou acarretando mal-estar ao beber. Como qualquer outro medicamento, eles podem causar efeitos colaterais.

A avaliação e indicação dessas drogas como parte do tratamento, deverá ser feita pelo médico, bem como as orientações acerca de efeitos adversos — especialmente se o paciente usar qualquer droga recreativa.

Algumas substâncias podem ter interação perigosa, se utilizadas junto a esses medicamentos.

Alcoolismo tem cura?

Interromper a dependência alcoólica não é um processo simples, mas com a ajuda de profissionais habilitados, a chance de se obter sucesso é muito maior do que sozinho. Esses especialistas irão apoiá-lo e incentivá-lo ao máximo.

Entretanto, o tratamento para o transtorno por uso de álcool não é uma cura. Ficar longe do álcool, é uma luta ao longo da vida para muitas pessoas. Muitos precisam de várias tentativas e de ajuda, antes de parar de beber definitivamente. Manter seu seguimento regular e seguir as orientações é muito importante.

Compartilhar esse momento com outras pessoas que vivem ou viveram processos semelhantes é interessante.

Para isso, pode ser útil obter apoio de AA ou de um dos outros grupos de apoio ao alcoólatra. Seu médico pode ajudá-lo a encontrar um, ou você pode encontrá-los on-line, ou por indicação de outras pessoas.

Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo

O alcoolismo é uma doença enfrentada por muitas pessoas, e que impacta a vida de milhares de famílias no Brasil. O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo é mais uma oportunidade de reforçar os riscos envolvidos no uso abusivo dessas substâncias.

Nesse sentido, a data 20/02 também tem o objetivo de conscientizar a população acerca da prevenção e das possibilidades de tratamento e intervenções que podem ser feitas ao dependente de álcool ou drogas.

É preciso saber identificar os sinais e reconhecer a necessidade de ajuda, mas, ainda que pareça simples, esse primeiro passo pode ser difícil e doloroso para o etilista. É uma batalha árdua, diária, e quem passa por isso, precisa contar com o apoio de familiares e amigos para vencer cada desafio que surge pela frente.

Como saber se sou alcoólatra?

O caminho para o tratamento de problemas com álcool passa, antes de mais nada, pelo diagnóstico.

Neste momento, algumas perguntas podem surgir, tais como: quem bebe todo dia é alcoólatra? Ficar embriagado rapidamente ou com menor volume de bebida é um sintoma do alcoolismo? É importante observar comportamentos e buscar causas possíveis para o quadro.

Para ajudar você a entender mais sobre o diagnóstico de alcoolismo, a Unimed-BH elaborou um conteúdo exclusivo sobre o assunto, que aborda os principais sintomas e comportamentos que podem ser vistos em um etilista. Confira:

setinha Alcoolismo: como saber que estou dependente.

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