Aprenda mais sobre a dieta para pacientes com doença renal crônica (DRC)

Qualidade de Vida

09/03/2021

Conviver com a doença renal crônica requer diversas restrições alimentares. Saiba quais são elas!

5 min de leitura

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Aprenda mais sobre a dieta para pacientes com doença renal crônica (DRC)

A função renal é fundamental para o equilíbrio químico do nosso organismo. Desde a eliminação das toxinas até o balanço dos líquidos do nosso corpo, tudo passa pelos rins, por isso, a atenção e o cuidado preventivo também devem ser direcionados para esse órgão.

A descoberta de uma doença renal crônica (DRC) acarreta diversas mudanças na rotina e a adoção de novos hábitos. É o que se pode chamar de um novo estilo de vida, mais regrado e muito importante para desacelerar a progressão dos seus sintomas e efeitos, e a alimentação é uma dessas mudanças.

Seguir uma dieta focada na redução de fatores de risco ajuda a evitar a desnutrição e controlar os sintomas da doença renal crônica. Mas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, nem todos os pacientes de DRC necessitam de uma dieta restrita, e em muitos casos, mudanças básicas são suficientes para promover as melhorias necessárias no organismo.

O que é DRC?

Para entender um pouco mais sobre a dieta para portadores da doença renal crônica, é importante saber o que é DRC.

É considerada doença renal crônica (DRC) toda lesão que afeta os rins de forma contínua e persistente por mais de três meses. As lesões apresentadas em pessoas com DRC levam à diminuição da capacidade de filtragem dos rins e à perda irreversível da função renal.

A doença renal crônica (DRC) tem cinco estágios, sendo o mais avançado deles a insuficiência renal crônica. Esse quadro demanda ao paciente terapias como diálise e procedimentos como o transplante de rins para a preservação da vida.

Sintomas de doença renal crônica

A doença renal crônica (DRC) não apresenta sinais no início. Isso acontece porque a DRC progride lentamente, e isso garante que o organismo se adapte à perda da função renal nos primeiros meses da doença.

Os primeiros sintomas de doença renal crônica se manifestam em estágios mais avançados, quando já há algum tipo de comprometimento no funcionamento normal dos rins. Esses sinais aparecem na urina, com aumento de volume, alteração da cor e incômodo ao urinar. Além desses, destacam-se como sintomas da DRC a anemia, náuseas, vômitos, alterações na pressão arterial e retenção de líquido — que leva ao inchaço de olhos e extremidades.

Por se tratar de uma condição que só apresenta sintomas em estágios graves, o acompanhamento médico com um nefrologista é fundamental para detectar precocemente a doença renal crônica. O diagnóstico pode ser feito através de exames de sangue, com a análise dos índices de creatinina, e de urina — no qual será analisada a presença de proteína, albumina ou substâncias como sangue.

Entre as principais causas da doença renal crônica (DRC) estão a hipertensão arterial e a diabetes. As doenças renais congênitas, a nefrite, uma inflamação nos rins, infecções urinárias recorrentes e cistos hereditários também são causas associadas ao surgimento de casos da DRC.

Estágios da doença renal crônica

A doença renal crônica (DRC) é progressiva e apresenta cinco estágios baseados na taxa de filtração glomerular (TFG). O glomérulo é a parte do rim em que ocorre, de fato, a filtragem do sangue; ao analisar o ritmo da TFG, é possível identificar problemas na função renal e saber qual é a gravidade da DRC. Os estágios da doença renal crônica são:

  • Estágio 1: lesão renal leve. Nesse estágio da DRC, a TFG se mantém preservada (igual ou acima de 90ml/min/1,73m2). É necessário fazer o acompanhamento do quadro clínico do paciente para tratar fatores de risco que possam alterá-lo.
  • Estágio 2: insuficiência renal funcional ou leve. É o estágio da doença renal crônica em que pode ser identificado o começo da perda da função dos rins. Mesmo assim, o órgão consegue manter o controle do meio interno, por isso, só é possível identificar anormalidades pela medição da TFG. Nesse estágio, o ritmo de filtração glomerular pode variar de 60 e 89ml/min/1,73m2.
  • Estágio 3: insuficiência renal laboratorial ou moderada. Durante essa fase, podem ser identificados os primeiros sinais e sintomas da doença renal crônica, porém, de forma leve e quase imperceptível. Entretanto, exames de rotina já apresentam oscilações na ureia e creatinina. O ritmo de filtração glomerular cai consideravelmente e costuma aparecer entre 30 e 59ml/min/1,73m2.
  • Estágio 4: insuficiência renal clínica ou severa. Essa fase já apresenta sinais claros da presença da doença renal crônica, como retenção de líquido e consequente inchaço, anemia, fraqueza e sintomas digestivos. Nesse momento, a TFG corresponde a níveis de 15 a 29ml/min/1,73m2.
  • Estágio 5: insuficiência renal crônica. Esse é o estágio em que os rins não conseguem mais cumprir a função de controle do meio interno e, consequentemente, apresentam riscos para a vida do portador de DRC. É a fase da doença em que é necessário utilizar terapias de filtração artificial, como a hemodiálise, para estabilizar o ritmo de filtração glomerular, que se torna inferior a 15ml/min/1,73m2. Nessa etapa, também é considerado o transplante renal.

Tratamento e dieta para pacientes com DRC

A melhor forma de tratamento da DRC é pelo acompanhamento médico de rotina. Por meio de consultas e exames laboratoriais simples, é possível fazer o diagnóstico precoce e iniciar os cuidados o quanto antes. Além disso, o tratamento da DRC pode evitar que a doença avance ou tornar a progressão da doença renal crônica mais lenta.

A dieta para portador de DRC vai depender do estágio da doença em que o paciente se encontra. Para pessoas com TFG maior que 60ml/min/1,73m2, ou seja, no estágio 1 ou 2 da DRC, as recomendações alimentares não costumam ser restritas e são iguais às da dieta saudável comumente orientada para pessoas que não têm comorbidades.

Estágios mais avançados da DRC devem contemplar, em seu tratamento, dietas e cuidados com a alimentação com o intuito de regular os índices de nutrientes no sangue e evitar excessos relacionados aos problemas de filtração. Apesar de restrita, a adequação da rotina alimentar é fundamental para retardar a progressão e proporcionar mais qualidade de vida.

Controle de peso

O controle de peso é fundamental para pacientes de DRC, uma vez que a obesidade e a desnutrição têm impactos negativos nesse quadro clínico.

A obesidade, associada à doença renal crônica, pode ocasionar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Já a desnutrição, quando somada à DRC, tem relação com a mortalidade de pacientes.

Restrições alimentares

A ingestão de carambola é proibida para pessoas com doença renal crônica, independentemente do seu estágio. Essa restrição alimentar é necessária porque a perda da capacidade de filtração do rim impede que ele descarte uma toxina presente na fruta, acumulando-a no organismo e provocando consequências graves como convulsões e óbito.

Por se tratar de uma substância filtrada nos rins, o nível de sódio no organismo pode ficar desregulado em pacientes com doença renal crônica. Por isso, o sal também deve ser controlado na alimentação, com o intuito de contribuir para o monitoramento da pressão arterial e a redução de complicações cardiovasculares.

Proteínas

A redução da ingestão de proteínas está associada ao retardo no avanço da doença renal crônica, entretanto é importante orientar essa redução com cuidado para evitar quadros de desnutrição da pessoa. Em estágios mais iniciais da doença, o consumo diário pode ser de 0,8g/kg/dia, enquanto, em fases mais graves, ele pode ser reduzido para 0,6g/kg/dia.

Potássio

O controle do consumo de potássio deve estar associado à análise das taxas do nutriente no sangue, afinal, não são todos os pacientes de doença renal crônica que possuem níveis elevados da substância. Aqueles com restrições de potássio devem optar por alimentos como abacaxi, maçã, pêssego, morango, alface, cenoura e repolho, que têm baixo teor. Além disso, é importante consultar a quantidade de potássio nos alimentos e evitar os que são ricos no nutriente, como laranja, uva, castanha e feijão, entre outros.

Fósforo

O fósforo é uma substância que precisa ser reduzida da alimentação de portadores da doença renal crônica, e essa redução deve ser progressiva e acompanhar a evolução da doença. Como a eliminação de fósforo pela urina está comprometida, em alguns casos, a utilização de medicamentos que favorecem essa eliminação pelas fezes deve ser considerada.

O fósforo, além de estar presente na composição natural dos alimentos, também é encontrado em conservantes, por isso, é importante ficar atento duas vezes. Evitar alimentos embutidos, como salsicha, presunto e mortadela, e alimentos ultraprocessados em geral garante a menor ingestão da substância. Queijos e miúdos também apresentam concentrações de fósforo e devem ser evitados.

Independentemente do estágio da doença renal crônica, o cuidado com a alimentação deve ser constante. Ler os rótulos dos alimentos e buscar informações sobre a composição nutricional dos itens do cardápio é fundamental para evitar a ingestão de substâncias prejudiciais ao quadro clínico de DRC. Além disso, fazer acompanhamento médico com um nefrologista de confiança e realizar exames laboratoriais de rotina garante um acompanhamento mais preciso da doença e, consequentemente, tratamentos e medidas mais eficazes para a qualidade de vida e o bem-estar do paciente.

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