O risco dos transtornos alimentares para pacientes de cirurgia bariátrica

Prevenção e Controle

26/02/2021

O desenvolvimento de distúrbios alimentares está entre os riscos da cirurgia bariátrica. Conheça os principais e saiba como evitar o diagnóstico.

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O risco dos transtornos alimentares para pacientes de cirurgia bariátrica

Devido às complicações, aos efeitos colaterais e aos riscos da cirurgia bariátrica, ela é identificada nas Diretrizes Brasileiras de Tratamento da Obesidade, elaboradas pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), como um método terciário de tratamento. O manual também destaca a importância do acompanhamento médico multidisciplinar na recuperação do paciente, reforçando o papel de nutricionistas e psicólogos no pós-operatório.

Tamanha preocupação tem um motivo: infelizmente, o surgimento de transtornos alimentares em pacientes de cirurgia bariátrica é mais comum do que se imagina. As restrições alimentares e as alterações de hábitos necessárias para a recuperação após o procedimento promovem um cenário propício para o desenvolvimento de distúrbios, por isso, o acompanhamento especializado é fundamental para identificar os riscos da cirurgia bariátrica para a saúde mental.

O que são transtornos alimentares?

Para entender o que são transtornos alimentares, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, são alterações no comportamento alimentar do paciente, resultado de uma relação complexa entre sintomas biológicos, psicológicos e socioculturais.

Existem diversos diagnósticos de transtornos alimentares, e cada um deles tem um tipo de efeito no corpo do paciente, desde o emagrecimento excessivo até o ganho descontrolado de peso. Além das reações mais conhecidas, os distúrbios alimentares podem acarretar outras doenças como desnutrição, problemas gastrointestinais e desidratação.

Compulsão alimentar

Também conhecida como “o comer compulsivo”, a compulsão alimentar é um dos riscos da cirurgia bariátrica. Ela não está associada a esforços para perda de peso, mas caracteriza-se pelo descontrole durante as refeições. Pacientes diagnosticados com compulsão alimentar comem muito mais do que o necessário para promover a saciedade, o que pode acarretar grandes quantidades de comida no prato e inúmeras repetições nas refeições.

Diferentemente dos episódios de exagero, como aquele dia em que você resolve comer algumas fatias de pizza a mais, a compulsão alimentar acontece com frequência. Ela não está atrelada ao prazer promovido pela comida, e sim à dificuldade em parar de comer, mesmo que isso cause desconforto no estômago, náuseas e vômito.

Anorexia nervosa

A anorexia nervosa é o risco mais comum entre aqueles associados à cirurgia bariátrica e pode ser caracterizada, além de um transtorno alimentar, como um distúrbio de imagem. Pacientes que apresentam o quadro, mesmo em ocasiões em que estejam abaixo do peso, se enxergam no espelho como se estivessem acima dele e, em alguns casos, até obesas, e recorrem a métodos diversos – e muitas vezes, arriscados – para o emagrecimento.

Entre os principais sinais de alerta da doença, estão os sintomas físicos, como perda exagerada e repentina de peso, pele seca e interrupção do ciclo menstrual. Entretanto é importante ficar atento a comportamentos como fixação pelo valor calórico das refeições, exclusão social e interrupção das refeições, afinal, eles representam sinais claros da doença.

Bulimia

Um pouco diferente de pacientes com quadros de anorexia, mulheres e homens com bulimia não são, na maioria dos casos, extremamente magros. Apesar de não apresentarem esse sinal, comumente associado aos transtornos alimentares, é possível identificar outros sintomas, como sinais de desidratação e fraqueza nos dentes – causada pela perda do esmalte.

A bulimia tem semelhança com a compulsão alimentar e com a anorexia e também representa grandes riscos para a saúde. Os principais sintomas de pacientes com esse quadro de distúrbio alimentar são episódios de compulsão recorrentes e incontroláveis e adoção de métodos “emergenciais” compensatórios, como indução ao vômito e uso de laxantes e diuréticos.

Cirurgia bariátrica e distúrbios alimentares: qual é a relação?

A conhecida “redução de estômago” é um método mais extremo de tratamento porque promove mudanças estruturais e irreversíveis no corpo do paciente. Estar ciente de todos os riscos da cirurgia bariátrica antes de se submeter ao procedimento é fundamental, afinal, eles vão muito além de impactos físicos e podem acarretar quadros sérios de transtornos alimentares. Mas, afinal, por que isso acontece?

O pós-operatório da cirurgia bariátrica requer uma mudança brusca de hábitos. Pacientes que passam pelo procedimento não podem comer normalmente durante os primeiros meses e precisam passar por uma reintrodução alimentar gradual, lenta e rigorosa. Essa reintrodução evita complicações pós-operatórias e tem papel importante nos resultados da cirurgia a médio e longo prazos, mas, por outro lado, é um momento de restrição e psicologicamente difícil para os pacientes.

As proibições, quando somadas ao medo de recuperar o peso, aos distúrbios de autopercepção e até mesmo à diminuição das taxas de vitaminas no corpo, podem desencadear transtornos alimentares semelhantes aos da anorexia nervosa. Já a indução de vômito como método para potencializar a perda de peso pode indicar quadros de bulimia.

Por isso, fique atento: o medo excessivo de ganhar peso ou não atingir os resultados propostos pode ser um sinal de distúrbios alimentares. O diagnóstico é difícil, por isso, o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar para atuar nos riscos da cirurgia bariátrica e em transtornos alimentares é fundamental.

Qual é o papel da equipe multidisciplinar para evitar transtornos alimentares?

Não é apenas o cirurgião que deve acompanhar o paciente no pós-operatório. Para evitar os riscos da cirurgia bariátrica, é recomendado contar com uma equipe multidisciplinar, que leve em consideração os aspectos nutricionais, metabólicos e psicológicos que são impactados pelo procedimento.

Além de prescrever e orientar o paciente antes e durante o uso da dieta pós-bariátrica, o nutricionista, em parceria com um endocrinologista, vai acompanhar e analisar, através de exames laboratoriais, os índices de vitaminas, que acabam sendo impactados durante o processo de recuperação. A partir dos resultados, ele indicará mudanças na dieta e suplementações que façam a reposição do que está em falta no organismo.

O psicólogo e o psiquiatra trabalharão em conjunto com o nutricionista na identificação de sintomas que caracterizem transtornos alimentares, bem como outros transtornos mentais, como depressão e ansiedade. Além disso, devem atuar de forma preventiva com o intuito de motivar e apoiar o paciente no pós-operatório.

Os riscos da cirurgia bariátrica são muitos, mas contar com o apoio da família, dos amigos e de uma equipe médica de confiança é a chave para uma recuperação sem complicações, sem transtornos alimentares e com ótimos resultados.

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