Guia prático do paciente pós AVC

Prevenção e Controle

11/10/2021

Este conteúdo foi elaborado com muito carinho pela equipe da Unimed-BH para auxiliar o familiar, cuidador e o paciente que teve um AVC quanto aos cuidados do dia a dia, promovendo um ambiente favorável e estimulando a independência e qualidade de vida.

10 min de leitura

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Guia prático do paciente pós AVC

O AVC pode ocorrer a qualquer hora, durante qualquer atividade e até mesmo durante o sono. É a principal doença causadora de incapacidade na população mundial, segundo a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares (SBDCV).

Por isso, o momento de retorno para casa após alta hospitalar pode ser marcado por expectativas, ansiedade e inseguranças sobre como vai ser essa adaptação a uma nova rotina.

Poderão haver momentos de alegria, alívio, tristeza, frustração, superação, entre outros, nos quais se torna menos difícil de enfrentar quando se tem apoio, seja de familiares, amigos, da fé e/ou qualquer outra fonte que traga segurança e conforto.

O que é AVC?

O Acidente Vascular Cerebral, popularmente conhecido como derrame, é uma doença causada pela obstrução ou rompimento de uma artéria cerebral, levando à falta de oxigênio e nutrientes ao cérebro.

O problema pode causar lesões cerebrais pequenas, severas, permanentes ou temporárias (Ataque Isquêmico Transitório – AIT).

Qual a diferença entre AVC Isquêmico e Hemorrágico?

O AVC Isquêmico é caracterizado pelo bloqueio do fluxo sanguíneo por um coágulo, enquanto o AVC Hemorrágico ocorre quando há a ruptura de um vaso sanguíneo, levando à hemorragia.

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Imagem 1: AVC isquêmico

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Imagem 2: AVC hemorrágico

 

Quais os fatores de risco para uma pessoa ter AVC?

Há uma série de fatores que aumentam as chances de ter um AVC. Maus hábitos como o tabagismo, o alcoolismo e o sedentarismo são alguns deles. Veja outros fatores de risco:

Algumas doenças como diabetes e as doenças cardíacas também são consideradas fatores de risco para o Acidente Vascular Cerebral.

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Imagem 3: Fatores de risco para uma pessoa ter AVC

O que ocorre após um AVC?

As sequelas de um derrame variam conforme a área do cérebro atingida, podendo incluir déficits motores, sensitivos, visuais, de deglutição, linguagem, cognição e humor.

Por isso, é muito importante seguir as recomendações do médico e preparar o ambiente domiciliar para facilitar a rotina de retorno à casa.

Promovendo qualidade de vida após o AVC: 14 dicas

A seguir, você encontrará 14 orientações práticas e ilustradas para que seja possível promover maior qualidade de vida para um indivíduo que sofreu um AVC após o seu retorno ao ambiente domiciliar. 

Nas ilustrações em que se tem a representação do paciente, é válido salientar que a metade do corpo destacada em vermelho corresponde àquela que foi comprometida pelo AVC.

1. Como preparar o ambiente domiciliar?

Os ambientes devem ser adaptados e livres. Reposicione os móveis e retire os tapetes para facilitar a circulação do paciente e evitar quedas.

Se possível, coloque barras de apoio no banheiro, priorize o uso de sapatos adequados e mantenha uma boa iluminação na casa, principalmente durante a noite.

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Imagem 4: Banheiro adaptado para atender a pessoa que sofreu um AVC

 

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Imagem 5: Quarto adaptado para as necessidade de um paciente que sofreu um AVC

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Imagem 6: Sequência de três cenas: a primeira com uma pessoa que sofreu AVC tropeçando, segunda se locomovendo com andador e na terceira com auxílio de uma bengala

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Imagem 7: Calçado a pessoa acometida pelo AVC

É importante que o lado do corpo comprometido pelo AVC receba mais estímulos ao longo do dia. Por isso, é interessante que a TV, rádio e móveis do cômodo em que o paciente fica a maior parte do tempo estejam preferencialmente posicionados deste lado do corpo.

2. Como posicionar o paciente corretamente?

O posicionamento da pessoa que teve um AVC deve ser feito de forma a proporcionar conforto, cuidando para não impactar o lado do corpo mais afetado. Veja exemplos:

  • Deitado de barriga para cima: apoie o travesseiro embaixo dos membros comprometidos, mantendo o braço e mão alinhados ao lado do corpo. Coloque um apoio embaixo dos joelhos e panturrilhas, deixando o calcanhar suspenso.

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Imagem 8: Posição para repouso com o paciente deitado para cima e apoiado em travesseiros

  • Deitado com o lado comprometido para baixo: tome cuidado para que o paciente não deite sobre o ombro. O braço comprometido deve estar estendido na altura do ombro. Já a perna comprometida deve estar com uma leve flexão do joelho, enquanto a perna não afetada deve ser dobrada à frente do corpo, além de apoiada por um travesseiro. Atenção! O apoio para as costas também é importante.

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Imagem 9: Posição para repouso com o paciente deitado de lado e com a posição comprometida para baixo

  • Deitado com o lado comprometido para cima: o braço afetado deve estar em leve flexão de ombro e cotovelo, estendido e apoiado em um travesseiro e com a mão na altura do rosto. A perna comprometida deve estar em leve flexão de quadril e joelho, apoiados no travesseiro. Não esqueça o apoio para as costas.

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Imagem 10: Posição para repouso com o paciente deitado de lado e com a posição comprometida para cima

  • Sentado: nesta posição, é importante manter a coluna do paciente reta, podendo usar um travesseiro nas costas. Apoie ambos os braços sobre um travesseiro ou rolo feito com cobertor, não deixando o braço comprometido pendente ou solto.

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Imagem 11: Pessoa acometida pelo AVC sentado e com os pés apoiados

3. Como transferir o paciente de lugar?

É importante estimulá-lo em todos os momentos para que ele seja independente e, assim, avançar no processo de reabilitação.

Ao passar o paciente de uma posição deitada para que ele se sente, o cuidador ou familiar deve posicioná-lo de lado, preferencialmente com o membro comprometido para cima, próximo à beira da cama.

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Imagem 12: Sequência de imagens abordando a transferência adequada de pessoa afetada pelo AVC

Em seguida, deve sobrar as pernas e colocá-las para fora da cama. Com o braço não comprometido, o paciente deve ajudar até chegar à posição sentado. Lembre-se de ter cuidado com a manipulação do ombro comprometido durante o movimento.

Já para transferir o paciente da cama para a cadeira, e vice-versa, ele deve segurar o braço comprometido durante todo o movimento e “abraçar” o cuidador. É importante que ele participe o mais ativamente possível durante a transferência.

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Imagem 13: Sequência de imagens abordando a transferência adequada de pessoa afetada pelo AVC

Neste caso, o cuidador apenas oferece apoio para que ele fique de pé à sua frente. Durante a posição de pé, a perna comprometida deve ser posicionada entre as pernas do cuidador para firmá-la.

Gire o tronco junto ao paciente e posicione-se alinhado à cadeira. O paciente deve sentar-se freando para evitar quedas e estimular a musculatura comprometida.

4. Como caminhar após um AVC?

O cuidador deve se posicionar do lado comprometido do paciente, colocando uma mão em cada lado do quadril e, assim, auxiliando na transferência de peso para a perna diretamente comprometida.

Se houver possibilidade, utilize dispositivos que auxiliem a deambulação, conforme orientação da fisioterapia.

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Imagem 14: Paciente com AVC sendo amparado na caminhada

5. Cuidados na hora do banho

Separe os itens para o banho e deixe-os próximos ao paciente. Se ele não estiver andando, mas conseguir firmar o tronco na posição assentado, leve-o para o chuveiro na cadeira de banho para evitar quedas. Verifique se a temperatura da água está adequada.

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Imagem 15: Cuidados necessários no banho do paciente com AVC

Não deixe o paciente sozinho, mas estimule-o para que se lave com o sabonete o máximo que conseguir. Caso o banho seja na cama, comece pela cabeça e depois vá para as demais partes do corpo, deixando as partes íntimas para o final.

Aplique hidratante na pele do paciente uma vez ao dia, de preferência, após o banho, com movimentos suaves e regulares.

6. Cuidados de higiene oral e pessoal

Na hora de cuidar da saúde bucal, o paciente deve estar sentado, se possível, de frente ao espelho e usar a mão não comprometida. Para a escovação dos dentes, use pouca quantidade de pasta dental, evitando engasgos.

Para o idoso que utiliza prótese dentária e não consegue enxaguar a boca, enrole uma gaze ou pedaço de pano limpo no seu dedo e limpe a cavidade oral com movimentos circulares de dentro para fora. Recoloque a prótese já limpa.

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Imagem 16: Pessoa com AVC realizando a higiene oral

Não esqueça de limpar também a língua do paciente com uma escova de dentes no sentido de dentro para fora. Se observar feridas na boca, gengivas inflamadas ou sangramentos, procure a avaliação de um profissional.

7. Qual a frequência da troca de fraldas?

A fralda de uma pessoa acamada deve ser checada a cada três horas e trocada sempre que estiver suja com urina ou fezes. Isso aumenta o conforto e evita o surgimento de assaduras, lesões ou infecção urinária.

Se o paciente estiver em condições de ir ao banheiro, é recomendado tentar primeiro levá-lo ou usar uma comadre/marreco para que ele não perca o controle dos esfíncteres ao longo do tempo.

8. Previna lesões na pele

Para isso, o paciente deve permanecer, no máximo, duas horas na mesma posição. Em pessoas acamadas, a recomendação é usar traçado ou lençol (móvel) para movimentação na cama.

Se possível, utilize um colchão piramidal – caixa de ovo – ou colchão de ar pneumático. Eles aliviam o peso em diferentes pontos onde os ossos são mais salientes. Os lençóis da cama devem ser trocados com frequência, e sempre devem estar secos e esticados.

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Imagem 17: Cuidados necessários na hora da rotação de posição do paciente com AVC

Tenha cuidado ao mudar a pessoa de lugar ou de posição, evitando que a pele friccione no lençol ou na cadeira, pois ela é fina e frágil. Lembre-se de proteger o membro afetado nas trocas de posição, garantindo que ele não seja comprimido.

9. Cuidados com a alimentação e deglutição

O AVC também pode trazer complicações na alimentação como a disfagia, nome dado à dificuldade de engolir alimentos ou saliva. Por isso, em caso de algum dos sinais abaixo, procure avaliação do profissional de saúde:

  • Alimento permanecendo na boca por um tempo prolongado
  • Sensação de comida parada na garganta
  • Tosse após se alimentar
  • Pigarro persistente após as refeições
  • Mudança na voz (apresenta estar secretivo)
  • Paciente aparenta estar ofegante e cansado durante a realização das refeições

Em alguns casos, são necessárias adaptações e modificações na consistência dos alimentos para facilitar a deglutição e evitar riscos de complicações pulmonares.

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Imagem 18: Pessoa com AVC se alimentando

Também é importante saber que o paciente deve estar alerta, consciente e concentrado durante as refeições. Evite alimentar o seu familiar na cama. Se isso for necessário, ele deve permanecer sentado com as costas apoiadas.

Estimule que ele coma sozinho. Se precisar de ajuda, ofereça a refeição em quantidades pequenas, sem apressá-lo, para que não se engasgue. Ofereça alimentos cortados em pedaços pequenos para facilitar a mastigação.

Se não houver restrições, ofereça líquidos utilizando um copo. Após a refeição, o paciente deve permanecer sentado por 30 minutos.

10. Reabilitação pós-AVC: o que é importante saber?

Em casa, o paciente deve ser estimulado a se manter o mais independente possível. Por isso, faz parte do processo de reabilitação pós-AVC, estimular a participação nas tarefas do dia a dia.

Não o deixe na cama a maior parte do dia. Procure estabelecer uma rotina com horários definidos para acordar, banho, refeições, tarefas, terapias, medicações, além do banho de sol, que em horários apropriados é importante.

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Imagem 19: Prática não recomendada na reabilitação de paciente com AVC

Saiba que é prejudicial ao paciente oferecer uma bola para apertar. Este exercício fortalece a musculatura que fecha a mão, mas prejudica os músculos que abrem a mão.

11. Como administrar as medicações

Ofereça apenas os medicamentos receitados pelo médico do paciente, no horário prescrito. Fique atento ao local de armazenamento, mantendo os remédios em locais frescos e nas embalagens originais.

Nunca use medicamentos vencidos. Deixe a última receita próxima ao local onde são guardados os remédios, para facilitar a consulta.

Entenda a importância de seguir à risca as orientações e prescrições médicas ao ministrar remédios > Orientações sobre o uso correto de medicamentos.

12. Facilite a comunicação com o paciente

O Acidente Vascular Cerebral pode alterar a fala ou como se entende o que é dito. Isso se chama afasia. O paciente pode apresentar dificuldades ao falar, por isso, demonstre tranquilidade ao ouvi-lo.

É importante também utilizar as atividades da rotina familiar para estimular a comunicação. Coloque-se face a face com ele, evitando comunicar-se em ambientes ruidosos, que prejudicam a atenção e a concentração.

Simplifique a mensagem e repita se for necessário, mas não tente completar ou adivinhar a fala dele.

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Imagem 20: Esquema de comunicação de paciente com AVC e outras pessoas

Se o paciente não compreende o que é dito, escreva as palavras mais importantes, aponte e gesticule. Fale um assunto de cada vez e use frases curtas.

Caso o paciente não fale, use figuras que auxiliem a conversa e faça perguntas simples de resposta “sim” e “não”. A escrita também pode ajudar, por isso, tenha papel e lápis à mão para se comunicar.

13. Acompanhamento pós-alta hospitalar

Após a alta, o paciente que sofreu um AVC deve seguir atentamente as orientações recebidas pela equipe do hospital para:

  • Agendar as consultas e retornos com os profissionais indicados, no tempo correto.
  • Iniciar a reabilitação o quanto antes, caso seja recomendado.
  • Controlar os fatores de risco para evitar um novo evento de AVC.

Para este último item é importante também estar atento aos sintomas que podem sinalizar um novo derrame. Veja a seguir.

14. Como identificar os sinais de alerta de um novo AVC

Fique atento à piora dos sintomas já existentes após a alta hospitalar, ou ao aparecimento de novos sinais como dormência súbita, confusão mental, fraqueza na face, braço ou perna, especialmente de um lado do corpo e dificuldades para falar ou compreender a fala, enxergar e caminhar.

Também são sinais de alerta a perda de equilíbrio ou coordenação, tontura e dor de cabeça súbita e intensa, sem causa conhecida.

Para agilizar o reconhecimento, é sempre possível utilizar o acrônimo do S.A.M.U. Ao suspeitar que alguém possa estar tendo um AVC, atente-se e faça os seguintes testes:

Sorria – identifique se há sinal de boca torta;

Abrace – veja se há perda de força;

Mensagem – confira se há alguma dificuldade na fala;

Urgência – sinais identificados, chame imediatamente o serviço de urgência. Clientes Unimed-BH podem solicitar uma ambulância pelo 0800 030 30 03.

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Imagem 21: Esquema de identificação de sinais do AVC

Além das orientações de cuidados pós-AVC, a Unimed-BH também traz uma série de conteúdos para te ajudar, por exemplo como acionar o serviço de urgência e emergência e como evitar acidentes domésticos com idosos. Confira:

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